Arquivo paraSetembro, 2007

Carta para um amor daltônico

 

Vamos combinar uma coisa?
Eu sou o vermelho e você o verde.

Pense numa flor, uma rosa. Você não sabe exatamente como ela é, uma vez que não consegue distinguir as cores. Será que eu saberia explicar? Vejamos.

Imagine o cheiro de grama cortada. Aquelas pequenas folhas enfileiradas de tamanho uniforme, transmitem um cheiro que me lembra o verde. O mesmo acontece quando observo o movimento das folhas de uma árvore num dia ensolarado, com uma leve brisa que faz com que as árvores dancem lentamente. Agora procure em sua mente o sabor do melhor vinho que já provou, o cheiro suave de um sabonete ou até mesmo o sabor de uma sobremesa de morango. É difícil explicar do que uma cor é feita, por isso espero que esteja entendendo.

Retorne para a imagem da flor. O caule é verde. É o que alimenta e fortalece as pétalas; também serve como sustentação para elevá-la ao céu e chamar atenção de borboletas e abelhas que procuram alimento. As pétalas, como você já deve saber, são vermelhas. São delicadas e aparentemente frágeis e dependem do caule para florescerem e mostrarem sua beleza. O caule sem as pétalas é somente um caule seco e sem vida. As pétalas sem o caule, se dividem em pedaços, perdem seu encanto e assim dificilmente são notadas.

Agora, voltando para o começo da nossa conversa, esse é o meio mais clichê que encontrei de dizer o quanto você é especial para mim e o quanto você tem contribuído para a minha felicidade. Se havia algum medo, alguma mágoa dentro de mim, já devo estar curada porque descobri em você o homem que eu quero cuidar e amar. Sem você sou apenas pedaços vermelhos caídos no chão.

Correção

Através de comentários no texto Osso Duro de Roer, descobri que cometi um grande erro, um pequeno detalhe que faz muita diferença. Segundo o André, no filme Tropa de Elite, não há Polícia Civil, e sim Militar.

Devo dizer que na minha interpretação é a Polícia Civil que combate o crime e protege os civis, ou seja, isso demonstra a minha ignorância sobre as forças policiais e transparece a minha distração, afinal de contas, bastava eu prestar mais atenção no filme para não cometer este erro crasso. E se não me tivessem chamado atenção para isso, meu erro não poderia ser corrigido. Pois bem, procurei algumas informações para saber a diferença entre Polícia Civil e Polícia Militar.
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Osso Duro de Roer

 

Tropa de Elite é um filme que fala sobre a ação das forças armadas contra o tráfico de drogas. O filme desenvolve três linhas de pensamento: a Polícia Civil, o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar e o “Sistema”.

Diferente de Cidade de Deus que conta a rotina dos traficantes, Tropa de Elite apresenta a rotina dos policiais. Mas não pense que se trata do bem contra o mal. A corrupção está em todas as partes envolvidas e demonstra que ninguém tem moral para julgar quem quer que seja.

A Polícia Civil é mostrada no filme como uma instituição falida, que não consegue sobreviver com o próprio salário e se aproveita de influências externas para garantir regalias e manter o “equilíbrio” entre polícia e Sistema.

O BOPE é que resolve os problemas sérios que a polícia não consegue resolver, embora utilize métodos pouco simpáticos diante de civis inocentes e também do próprio alistamento de novos soldados, em que estes são humilhados para conseguirem ingressar na corporação.

Já o Sistema é onde cada um de nós entra (pelo menos no caso do filme). Todos fazem parte do sistema, quem não faz parte tem que se adaptar. O sistema não quer saber de ninguém, a não ser de si mesmo.

Parece complicado de ler, mas o filme é bastante claro em todas as situações: ninguém é o mocinho da história. A corrupção está nos simples detalhes do dia-a-dia.

 

 Tropa de Elite
Direção:
 José Padilha
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 110 min
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Estúdio: Zazen Produções

Nostalgia

 

Esses dias eu estava observando meu Orkut, no dia em que fiz aniversário, e reparei nas pessoas que davam votos de felicidades. Pensei nas coisas que aconteceram comigo até agora e, também, nas pessoas que conheci até então. Boas ou más, muitas delas ajudaram a construir uma história que chamamos de vida.

Com o passar do tempo, nossos valores vão sendo compostos através de manias, culturas e ações que esses conhecidos nos trazem. Algumas pessoas aparecem para tornar a vida mais colorida e alegre, com muitas aventuras e até hematomas; não precisam saber quem você é para lhe dar um sorriso e lhe oferecer um brinquedo.

Outras pessoas precisam de aproximação, de iniciativa dos outros para que se soltem e mostrem como realmente são. Existem pessoas cruéis, que machucam com ações e palavras. Agem de maneira incompreensível e ainda assim são perdoados, afinal de contas, rancor faz mal pra pele, não é mesmo? Penso que essas pessoas surgem para nos fazer amadurecer, aprender com a dor e saber lidar com situações parecidas.

Se algumas pessoas machucam, outras certamente curam. Umas você conhece desde a infância e, mesmo que agora esteja crescido e um pouco diferente, você sabe que sobraram boas histórias para lembrar e talvez contar para os netos. Outras você conhece durante a jornada do crescimento. Não permanecem por muito tempo, mas deixam pequenas recordações gostosas de lembrar num momento de nostalgia.

Na verdade a vida não é apenas uma escola, mas sim um caminho. Um trajeto longo sem destino numa estrada de chão, cheia de pedras e buracos, onde há sempre um companheiro andarilho para não nos deixar sozinhos.     

 

Vinte anos

Hoje é o meu dia. O dia em que nasci. Como disse minha mãe, já são duas décadas, com vinte anos já dá pra ter histórias pra contar. E quantas.

Pois então, com 20 anos já temos experiências para compartilhar com um pouquinho de sabedoria. Se bem que tem muito adulto infantil por aí. Mas o que eu poderia contar da minha vida ou da minha experiência? Meus amores? Minhas aventuras?

Toda vez que compartilho algo que me parece novo com minhas amigas, sempre tem uma que conta alguma experiência parecida, e aí percebemos que algumas situações acontecem com todo mundo. A única diferença é o momento em que essa transformação ocorre com cada um. Não quero desmerecer meus vinte anos, mas essa versão 2.0 não muda nada na minha vida.

Lógico que me sinto mais madura, já não me impressiono tanto com as coisas da vida e consigo resolver meus problemas com maior facilidade. Acontece que com 20 anos eu não busco aventuras, nem penso em fazer tudo que ainda não fiz só porque o tempo passa rápido.

Gosto de planejar meus objetivos e concretizar meus planos com cuidado, até porque, a maioria das coisas que fiz por impulso, me trouxeram grandes prejuízos e até traumas. Hoje eu acho isso tudo muito engraçado, mas deve ser porque me sinto bem agora.

As pessoas podem dizer que a cada ano que passa ficamos mais velhos, o que não é sinônimo de experiência ou sabedoria. Por isso não importa quantos anos a gente faça, só iremos evoluir quando nos permitimos evoluir.

Quanto mais a gente cresce, mais a gente se aborrece

 

 

É engraçado como a gente não percebe que cresceu. Todas as brincadeiras de rodinha, pega-pega, esconde-esconde já não fazem mais parte da nossa vida.

De repente, a gente percebe que precisa pagar contas, passar na padaria, no supermercado, pagar aluguel, sendo que no meio de todas essas atividades a gente se esquece de algum compromisso marcado.

A rotina cansa, mas não dá pra parar na metade do caminho, porque as responsabilidades existem e deixam os músculos bastante tensos. Com o tempo, a gente se liga que já não vê os velhos amigos há um bom tempo, não toma mais cerveja no barzinho do outro lado da facul, não canta no chuveiro (se é que a gente fazia isso antes) e não tem tempo pra ver os parentes distantes.

Depois de crescido você percebe que ser gente grande não tem graça nenhuma e logo se cansa da brincadeira. Tem horas que a gente só pede uma noite de silêncio embaixo do cobertor, tem horas que pedimos mais cinco, dez, meia – hora e até adianta o despertador para dormir mais um pouco. Tem vezes que a gente só pede um dia bonito e produtivo.

E quando nos deparamos com uma criança, vemos o quanto o mundo delas é tão bobo e chato, onde elas não entendem nada do que a gente fala e só quer colo o tempo todo. Aí eu me pergunto: Será que é inveja?

Um colo nas horas difíceis é muito bom. Mas somos grandes demais pra isso. Mergulhar na piscina de bolinhas seria muito divertido, mas também não temos idade para isso. Ficar a manhã inteira assistindo desenho animado e comendo pipoca seria uma boa idéia, mas nós, tão adultos, temos de trabalhar.

Cansei de ser gente grande, essa brincadeira não tem mais graça. Meu bambo lê ta me esperando lá fora, alguém quer brincar de esconde-esconde?